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Capa de Ms. Marvel Vol. 1: Kamala Khan

Ms. Marvel Vol. 1: Kamala Khan

2021
13 de set. de 2026

Eu vou ser sincero aqui, eu amo muito a Miss Marvel. Mesmo relendo esse quadrinho já adulto, eu gosto muito de tudo o que tem aqui, é interessante como muita coisa aqui não perdeu força para mim mesmo assim, o que achou que diz muito sobre a HQ, que ela não é só sobre o hype da época, e tem uma estrutura emocional sólida. Gosto da origem dela, e de como a Marvel conseguiu acertar um personagem novo com tanta maestria, eu diria que é um dos grandes acertos deles na década passada, pois é uma leitura muito fluida. Você já vê toda a identidade da Kamala desde a edição #1. E muitas vezes, adultos não sabem escrever personagens adolescentes, sempre soa algo muito forçado, datado, não sabendo emular os comportamentos que um adolescente teria nos dias de hoje, sempre incluem gírias falsas, conflitos caricatos, dramas exagerados. Mas aqui não, e não só como a autora G. Willow Wilson faz isso muito bem em escrever essa jovem, mas também nada melhor do que ela para também escrever os dramas de uma adolescente que tem um asterisco muito importante de que ela é paquistanesa, tem uma religião diferente do padrão estadunidense, além do padrão de beleza ocidental, mas a história explora muito bem todos esses dramas. Ela forma a Kamala engraçada, desajeitada, sonhadora, contraditória, é algo que eu gosto muito, é que ela é super insegura com os seus poderes, que diz muito sobre o conflito de identidade paquistanesa que ela tem em ser uma jovem criada nos EUA por pais que foram criados em outra cultura. Quero dizer, existe um paralelo muito bonito em aceitar os poderes dela, com ela aceitar a identidade de uma jovem paquistanesa, além de fé, corpo, e desejo de pertencimento. Toda essa questão dela ter se achado incrível quando começou com os poderes sendo a Carol Danvers, e depois de sentindo uma derrotada com uns poderes que deformam ela, é simplesmente uma metáfora viva, e ela encontrar o Wolverine para debater sobre isso, deixou a história ainda mais enriquecedora, pois entra no conflito de identidade entre innumana e mutante. Ele não só ensina ela a lutar, ensina ela a existir no próprio corpo. É um roteiro muito competente nisso tudo, nos desejos de uma adolescente, como também a vida mista de heroína, que aproxima muito a gente dela, até mesmo dos costumes mulçumanos, principalmente com relação as mulheres, mas também aborda assuntos do cotidiano, como padrões de beleza da nossa sociedade. Gosto também do Inventor como um primeiro vilão. Ele soa um tanto bobo, mas não é caricato, acho que ele é extremamente funcional e eficiente para uma leitura de um jovem, e o que a história quer passar em sua mensagem sobre juventude. Além de que ele testa muito bem o crescimento da Kamala. E a arte também me agrada muito, são simples e caricatos, bons também até quando a Kamala usa os poderes, e é difícil de encontrar isso, mas até a arte chega a ser divertida, cheia de elementos nos quadros, que tornam a leitura ainda mais legal.