
Quarteto Fantástico (2026) 01
2026Quarteto Fantástico aposta na ficção científica para entregar uma das histórias mais criativas das revistas mensais da Marvel. A revista do Quarteto Fantástico, ganhou uma nova numeração e conseguiu me surpreender bastante. Em meio a tantas histórias de super-heróis que acabam recorrendo às mesmas estruturas, esse volume encontra na ficção científica uma maneira muito divertida de explorar a dinâmica da Primeira Família da Marvel. A premissa já chama atenção. Durante um confronto com o Doutor Destino, o Quarteto acaba envolvido em uma situação que coloca cada um dos seus integrantes em um período completamente diferente da história da Terra. A partir daí, a história deixa de ser apenas mais uma batalha contra Victor Von Doom e passa a trabalhar com conceitos de tempo, sobrevivência e, principalmente, com a capacidade do Quarteto de encontrar soluções para problemas aparentemente impossíveis. É justamente aí que o roteiro funciona melhor. A história consegue transformar uma ideia bastante absurda em uma aventura que mantém o leitor curioso para descobrir como os personagens vão conseguir lidar com as circunstâncias em que se encontram. Existe uma preocupação constante em mostrar as diferenças entre cada período histórico e as dificuldades que eles apresentam, mas sem deixar que o conceito científico engula a aventura. E, mesmo trabalhando com uma premissa tão grandiosa, a história não deixa de lado aquilo que torna o Quarteto Fantástico especial: a relação entre seus integrantes. Existe uma sensação muito forte de que estamos acompanhando uma família tentando encontrar uma maneira de voltar a ficar reunida. A inteligência do Senhor Fantástico, a determinação da Mulher Invisível, o humor do Tocha Humana e a resistência do Coisa continuam sendo fundamentais para que a aventura funcione. Outro ponto que gostei bastante é como o roteiro utiliza a própria lógica da viagem no tempo para construir seus desafios. Em vez de simplesmente usar o conceito como uma desculpa para colocar os personagens em situações diferentes, a história realmente brinca com as consequências de estar separado por períodos absurdamente distantes. É uma ficção científica bem divertida, daquelas que fazem você parar por alguns minutos e pensar: “Tá, mas como eles vão sair dessa?” E essa é justamente uma das maiores qualidades do volume. Se por um lado o roteiro e a criatividade são os grandes destaques, a arte não me conquistou tanto. O desenho tem um estilo que achei um pouco esquisito em determinados momentos e, para mim, não acompanha completamente a força das ideias apresentadas pela história. Ainda assim, é um problema que acaba sendo compensado pelo roteiro. No fim das contas, esse volume do Quarteto Fantástico entrega uma aventura criativa, dinâmica e que sabe aproveitar muito bem os elementos de ficção científica que fazem parte da essência da equipe. Mais do que uma simples história de super-heróis, temos aqui uma aventura sobre tempo, sobrevivência e, principalmente, sobre uma família tentando encontrar um caminho de volta para casa. Para mim, é um dos títulos mensais da Marvel que mais se destacaram pela criatividade recentemente. Nota: 8/10.