
Alan Scott: Lanterna Verde
202510 de set. de 2026Me surpreendeu bastante. Dei 5/5. Principalmente pela forma como a história consegue transformar a sexualidade do Alan em algo realmente integrado à sua caracterização, e não apenas em uma informação sobre o personagem, solta avulsamente apenas pra dizer que ele é isso ou aquilo. O contexto histórico é essencial para isso. Alan vive em uma sociedade dos anos 1940 em que ser homossexual não significava apenas enfrentar preconceito individual, havia toda uma estrutura social e institucional que poderia afetar sua reputação, seu trabalho, sua liberdade e seus relacionamentos. O medo de ser descoberto não me parece simplesmente uma questão de “vergonha de ser quem é”, mas de compreender muito bem os riscos que aquele mundo oferecia. Normalmente, o herói esconde quem é para proteger sua vida pessoal e aqui, Alan precisa esconder sua vida pessoal para conseguir continuar vivendo como o herói. Esse personagem me lembra muito a história do Alan Turing, o pai da computação, que também vivenciou praticamente o mesmo contexto histórico que o Scott. Mas mesmo sendo um "herói", assim como o Lanterna Verde, durante a segunda guerra mundial, ele foi perseguido e condenado por sua relação com outro homem. Para evitar a prisão, aceitou um tratamento hormonal imposto pelo Estado. A condenação também levou à perda de sua autorização de segurança e afetou seu trabalho com o governo. E se suicidou não muito tempo depois de toda essa violência. Mesmo que ele tenha contribuído pra sociedade, salvado pessoas e construído o que hoje nós chamaríamos de computador. Basicamente tudo o que o Alan Scott aborda nessa história, tudo que ele tem a perder por amar e ser quem ele é.



