
Preacher
1995Esse quadrinho é bom pra caralho e eu adoro como os personagens conversam entre si eles são muito humanos, também gosto como a comédia é trabalhada (tipo uma piada que dura 40 edições pra terminar) e piadas puramente visuais e sem diálogo, também gosto de como temas como homofobia, racismo no sul e coisa do tipo são trabalhados de maneira não direta, ele não precisa apontar o dedo na tua cara e falar que racismo é errado, você é uma pessoa normal, tu já deveria saber disso, alguns dos momentos mais marcantes são com personagens que aparecem pouco, como o policial gay e o veterano do vietnã amigo do pai do Jesse que ambos aparecem em só uma edição mas que me marcaram muito na memória. acho que os protagonistas são bem carismáticos e o fato que mostram de pouco a pouco como o Cassidy não é só um vampiro irlandês bêbado e divertido e sim uma pessoa genuinamente horrível e maldosa é bem impressionante, ele passou de ser um dos meus GOATS pra ser um dos caras que eu mais queria ver morrendo (ele foi humilde nos últimos segundos), sem contar nos vilões que tem vários, como a família do Jesse, o Graal e principalmente o Herr Starr que é um alívio cômico bom pra caralho, toda edição eu lia me perguntando qual shenanigan esse filho da puta ia se meter na próxima, e lembrando também do Anjo dos Assassinos, que é foda pra caralho, toda vez que ele brota morre uns mil cara, simplesmente diabolico ele (ele tem uma backstory legal numa one shot). A história começa quando um espírito chamado Gênesis possui um pastor chamado Jesse Custer e o Jesse muito puto da vida com Deus e com o fato que a vida dele é uma bosta decide usar dessas habilidades pra caçar Deus e descer ele no pau, juntamente da sua namorada Tulipa e dum mendigo vampiro chamado Cassidy que eles acharam na rua, eles entram em uns shenanigans loucos envolvendo o Graal que é tipo o Mossad só que levemente mais do mal e umas putaria doida do caralho. uma das partes mais interessantes do quadrinho como um todo é o arco de umas 10 edições que se passa em Salvation, ele basicamente volta na estaca zero pro Jesse, ele tá completamente desamparado sem rumo, vai pra uma cidade rural no meio do Texas e por acaso vira o xerife do lugar, tem uma parceira policial que tá afim dele e reencontra sua mãe, ele consegue literalmente tudo o que ele queria quando era jovem, viver suas fantasias como um John Wayne da vida num filme western, mas ele abandona isso por que ele tem uma missão a fazer, ele precisa encontrar Deus e fazer ele pagar por todo sofrimento que ele causou. O arco final amarra todas as pontas soltas que tinham na obra e tem um confronto entre o Jesse e o Cassidy e uma emboscada do que restou do Graal, no final das contas o Cassidy fez um acordo com Deus pra reviver o Jesse depois que ele morresse e que ele mesmo revivesse sem o vampirismo e assim aconteceu, Gênesis morreu e Deus finalmente pode voltar a seu lar em paz, até ele chegar em seu trono e ver o Santo dos Assassinos pronto pra plocar ele na bala, o Jesse e a Tulipa podem viver felizes seguindo seu próprio caminho sem as complicações de caçar Deus e o Cassidy pode finalmente ver o sol nascer denovo, tentando ser um homem melhor, todo mundo merece uma segunda chance. A arte do Dillon é maravilhosa embora eu tenha algumas desavenças sobre como ele desenha literalmente todo mundo com basicamente o mesmo rosto a um nível absurdo, mas deixando isso de lado, gosto de como a equipe criativa permaneceu a mesma nessas 66 edições, sempre mantendo seu padrão de qualidade do começo ao fim. ele também tem umas 6 one shots que eu li só umas 4 e eu tô pouco me fudendo pras outras 2 então não vou ler que também são boas pra caralho e eu recomendo. Eu não sei como descrever muito bem esse quadrinho, mas é o Garth Ennis no seu melhor. É violento. É engraçado. É cretino. É humano. É Garth Ennis.

